Carta aberta para Jéssica.

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Olá Jéssica, eu não te conheço e só conheci teu canal hoje.

A primeira coisa que vi foi uma parede sem reboco, um espelho e uma menina com celular. E já pensei: Gente, mas ela está fazendo um vídeo por uma casa que nem pintada é?! É um vídeo de reforma? Mas depois que vi que aquela era a casa onde você morava e achei que você estava doida em fazer isso.

Eu tive esse pensamento tão preconceituoso, mesmo sempre batalhando pra ser uma pessoa livre de preconceitos e pré julgamentos, por que eu sempre tive aquela idéia de que na internet devemos mostrar no nosso melhor sempre. Nunca o real de fato, o inacabado, o imperfeito. Sempre correndo pra construir cenários e narrativas que achamos que os outros vão aceitar e “curtir”. Então, alguém que eu não conheço vai me amar por que eu fiz um esforço enorme pra criar algo sobre mim que no fundo não sou eu, não é minha realidade ou minha verdade.

Vendo esse vídeo tão simples, tão cru, tão verdadeiro e você tão orgulhosa por compartilhar as suas conquistas me senti uma pessoa fútil, preconceituosa, boba e alguém que não aceita suas próprias limitações nem a dos outros.

“Essa é a minha casa, meu lar e meu conforto é aqui.”  Jéssica

Cara, quantas vezes eu deixei de convidar meus amigos pra me visitar por que a decoração não estava como queria, quantas vezes reclamei que tudo era feio e quis mudar, sempre insuficiente, nunca obedecendo um padrão. Quanta VIDA eu deixei de viver por que as paredes da minha casa eram de um amarelo feio?

Trazendo aqui pro blog: quantas vezes deixei de postar por medo de ser julgada? Quantas vezes quis voltar mas achava que blog não era algo pra quem já tinha 30 anos? E que eu não tinha computador, nem isso, nem aquilo? Quanta vida foi deixada de ser compartilhada com meus amigos e com pessoas que nem conheço mas que podem gostar de mim?

Em poucos segundos de vídeo me senti fútil, suja, preconceituosa …

Estar descontente com algo não nos dá o direito de não reconhecer nossas conquistas. Não ter um corpo magro não deveria servir de desculpa pra não ir a praia com os amigos, nem deixar de tirar fotos, nem de comprar aquela roupa linda (por que você só vai comprar roupa quando emagrecer) . Você já notou quanta vida você deixou, quantos momentos divertidos você perdeu por achar que aquilo não estava perfeito?

A vida não pode ser feita de eterna esperas para que o momento perfeito chegue. O momento perfeito pode ser esse, agora, em que você -que nunca vi- me ensinou tanto com um simples vídeo. Sem preconceitos, sem julgamentos, sem filtros que mascaram a realidade, apenas o real, o que tem agora. E se orgulhando disso, de cada pequena conquista.

Então, agora que aprendi, voltei … Sem perfeição, apenas eu e o que eu gosto de dividir com o mundo.

Obrigada, Jéssica. Voltei.


 

Se você ficou curiosa, esse é o Tour pela casa da Jéssica.

 

Beijos,

Tay

4 thoughts on “Carta aberta para Jéssica.

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