True Cost: o verdadeiro valor da Moda

Vamos falar sobre Moda?

Ontem a noite assim que cheguei do trabalho parei um pouco a minha vida para assistir ao documentário True Cost, dirigido por Andrew Morgan (uma pessoa,que como ele mesmo conta, não tem relação nenhuma com esse universo), o filme retrata quem está por trás das peças super baratas que nós encontramos em redes de fast fashion. O foco não são estilistas nem as grandes marcas e sim o trabalhador das fábricas, em especial a India, e o impacto do nosso consumo no planeta.

Já havia ouvido falar bastante sobre esse filme e uma amiga até começou a se questionar se ainda queria fazer parte desse universo tão injusto. A Industria Têxil movimenta bilhões pelo mundo e é a segunda maior poluidora do planeta e isso afeta diretamente todo nosso meio – por isso devemos realmente pensar sobre esse assunto.

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Acho que todo mundo já ouviu falar em trabalho escravo ligado a moda, existem várias empresas mudando seus parques fabris para países orientais buscando mão de obra cada vez mais barata. O valor de produção de uma calça jeans nesses paises chega a ser 0,50 centavos de dólar (e não precisa ser expert pra saber que esse valor não paga nem o tecido) e são vendidas nas redes por 20 dólares (continuam sem pagar o tecido mas o lucro é absurdo). Mas você já parou pra pensar que pra você comprar essa calça por 20 dólares alguém teve que receber muito pouco para produzi-la?

A conta funciona assim: os donos das fast fashion tem uma faixa de preço para cada coisa na loja, algo como 19,90, 29,90. Para poder praticar esse preço e ter lucro ele começa a cortar gastos onde pode: tecido mais barato, pouco aviamentos, modelagem que aproveite melhor o tecido etc. Fabricação própria é algo inviável  já que ele teria que pagar funcionários e direitos trabalhistas. Qual a solução? Terceirizar. Assim ele se livra de todas as dores de cabeça de produzir  e apenas compra e revende.

Seria simples mas temos que lembrar daquela faixa de preços ali, então ele impõe que o valor máximo da peça pronta é de 5 dólares e que o dono da fábrica tem que se virar pra pagar tecido, aviamento, maquina de costura, funcionários dentro desse valor ( e ter lucro ). Semana que vem o dono do fast fashion quer praticar valores mais agressivos, então baixa a faixa de 19,90 para 9,90 e diz que só compra as peças por no máximo 3 dólares. O dono da fábrica fica encurralado ou ele reduz os custos e continua gerando emprego e renda ou nega o pedido – ficamos com a primeira opção. Então o salário de quem trabalha na fábrica diminui. E continua caindo a cada nova remarcação.

Agora mudando para o lado de cá do globo, o consumidor que vai na loja e encontra peças lindas por 19,90 e depois por 9,90 só vê vantagens. Ele se sente rico e acha que pode comprar várias peças sem nem pensar se aquilo será realmente útil. É consumir por consumir, e esse consumo desenfreado, estimulado pela publicidade, blogs e celebridades faz a máquina da economia girar sem ligar muito com a forma que é feito.

O fator humano dentro dessa indústria é muito importante não só para que as coleções sejam criadas como para que elas tomem forma. Por trás do glamour dos desfiles e festinhas existem milhares de funcionários que realmente fazem a máquina girar mas quando há uma turbulência são os primeiros a sentir o baque.

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Há cerca de 40 milhões de trabalhadores em fábricas de vestuário em todo o mundo, a maioria dos quais ganham menos de 3 dólares por dia.

Adotar a mão de obra barata é só uma peça nesse quebra cabeça de consumo, existem outros milhares de problemas globais tanto ligados a Moda quanto a outros setores, o fato é que nosso planeta não aguenta mais tanto consumo e descarte. Em contrapartida se paramos de consumir nossas economias entram em colapso. É uma bola de neve de sujeira e químicos.

Boicotar marcas ainda não seria a solução. O consumo consciente, a valorização de marcas locais e principalmente aquela perguntinha que sempre devemos fazer quando estamos numa loja: Será que eu preciso disso? … São os primeiros passos para nos reeducar em relação a moda e ao impacto que aquela peça baratinha vai fazer ao planeta.

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2 thoughts on “True Cost: o verdadeiro valor da Moda

  1. Post maravilhoso! Preciso, objetivo e joga a real.
    Pois é, esse mercado é injusto mesmo, de todas as forças, seja de fast fashion que quer vender barato ou até mesmo das grandes grifes e marcas, que vendem caro, mas repassam valores baixos para quem produz. De fato, deveria haver fiscalização para que não houvesse essa escravização da mão de obra no mercado da moda, mas parece que as pessoas não se preocupam com isso.
    Nós, consumidores, temos que fazer nossa parte e consumir de forma consciente, pelo menos! Pesquisar também é bacana, assim sabemos de quem estamos comprando.
    Parabéns!

    http://luoucuras.blogspot.com.br/

    1. Nossa Luciano, obrigada pelo comentário. Estou muito feliz que você gostou =D

      Quando você para pra pensar em como todas as esferas sociais estão ficando injustas dá uma vontade de se enfiar no mato e viver de luz. Mas não podemos, né? O jeito é ser consciente e consumir de forma inteligente.

      E nós que trabalhamos com moda e temos veículos temos obrigação de alertar para esses problemas.

      Beijos.

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